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FG+SG fotografia de arquitectura | architectural photography

Fernando Guerra e Sérgio Guerra fundaram o estúdio FG+SG - Fotografia de Arquitectura, em 1999. São responsáveis por grande parte da difusão da arquitectura contemporânea portuguesa, nos últimos dez anos.
Fernando Guerra fotografa todos os trabalhos realizados, sendo Sérgio Guerra o responsável pela produção das reportagens e gestão do atelier. Após cinco anos de actividade, decidiram fundar a editora "FG+SG - Livros de Imagem" divulgando as várias obras que fotografam.
Os seus trabalhos são editados regularmente em diversas publicações tanto a nível nacional como internacional, em revistas como Casabella, Wallpaper*, Dwell, Icon, Domus, A+U, entre muitas outras. A FG+SG colabora com diversos arquitectos portugueses como Álvaro Siza, Carlos Castanheira, Risco Arquitectos, Manuel Graça Dias + Egas José Vieira, ARX Portugal, Promontório Arquitectos, Belém Lima; assim como, arquitectos internacionais como Jordi Badia, Zaha Hadid, I. M. Pei, entre muitos outros.
O site ultimasreportagens.com tornou-se no ponto de partida para consultar arquitectura contemporânea portuguesa com mais de seiscentas reportagens online, bem como artigos especiais e publicações.


 

Fernando Guerra and Sérgio Guerra founded studio FG+SG - Fotografia de Arquitectura in 1999. They have been responsible in large part for disseminating contemporary portuguese architecture over the last 10 years.
Fernando Guerra photographs the architecture, while Sérgio Guerra is responsible for producing the articles and managing the atelier. After 5 years of activity, they decided to establish "FG+SG - Livros de Imagem" publishers to promulgate the various architectural works they photograph.
Their work is regularly featured in a variety of publications at both the national and international level including Casabella, Wallpaper*, Dwell, Icon, Domus, A+U, among many others. FG+SG collaborates with various portuguese architects such as Álvaro Siza, Carlos Castanheira, Risco Arquitectos, Manuel Graça Dias + Egas José Vieira, ARX Portugal, Promontório Arquitectos, Belém Lima, in addition to international architects such as Jordi Badia, Zaha Hadid, I. M. Pei, among many others.
The website ultimasreportagens.com has become the starting point for consulting contemporary portuguese architecture with more than six hundred online features, as well as special articles and publications.


 


 
Nasceu em 1970, em Lisboa.
Licenciou-se em arquitectura em 1993 pela Universidade Lusíada de Lisboa, trabalhou durante cinco anos em Macau como arquitecto (1994-1999).
Leccionou a cadeira de Projecto II no curso de Arquitectura da Arca-Euac (Escola Universitária das Artes de Coimbra), entre 1999 a 2005.
Certificado pela Epson Digigraphie® em 2007; desde 2008 agenciado por VIEW Pictures, Londres – Reino Unido; e também, desde 2006 agenciado por FAB PICS – International Architecture Photography, Colónia – Alemanha.
O seu trabalho encontra-se representado em diversas colecções particulares e públicas.
 
Born in Lisbon in 1970.
Degree in Architecture in 1993 from Lusíada University in Lisbon, and worked five years as an architect in Macau (1994-1999).
Taught Projecto II for the Arquitectura da Arca-Euac (Escola Universitária das Artes de Coimbra) course between 1999 and 2005.
Certified by Epson Digigraphie® in 2007; represented by VIEW Pictures, London – United Kingdom since 2008; represented by FAB PICS – International Architecture Photography, Cologne – Germany since 2006.
His work is represented in various private and public collections.

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Exposições

2009

entre reportagens 01 | Galeria Colorfoto | Porto, Portugal.

2008
Mundo Perfeito | Casa da Cultura Fernando Távora | Aveiro, Portugal –
Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Portugal – Ordem dos Arquitectos | Lisboa, Portugal.
Álvaro Siza. Modern Redux | Instituto Tomie Ohtake | São Paulo, Brasil
Álvaro Siza. Mundo Perfeito | dARQ, Universidade de Coimbra | Coimbra, Portugal.
PHOTOARQUITECTURA 08 | Collegi Oficial d’Arquitects de les Illes Balears, Palma de Mallorca, Espanha.

2007
Álvaro Siza obras | Embaixada de Portugal em Nova Delhi/Instituto Camões - Galeria Lali Kala Academi, no âmbito da VIII Cimeira EU-Índia | Nova Delhi, Índia.
Álvaro Siza obras | Russian Avantgarde Foundation, Schusev State Museum of Architecture, Embaixada de Portugal em Moscovo/Instituto Camões - Schusev State Museum of Architecture | Moscovo, Rússia.
Álvaro Siza obras | Accademia di Architettura di Mendrisio - Galeria da Accademia di Architettura di Mendrisio | Mendrisio, Suiça.
Álvaro Siza | Trienal de Arquitectura de Lisboa 2007, Museu da Electricidade | Lisboa, Portugal.
Álvaro Siza obras | Benaki Museum | Atenas, Grécia.
20 anos Atelier Arquiprojecta | Lisboa, Portugal.
Representante da Epson Portugal | Institut du Monde Arabe | Paris, França.


2006
Álvaro Siza – Fotografias de Fernando Guerra | Anyang Álvaro Siza Hall, Anyang, Coreia do Sul.
Álvaro Siza: pavellons et museus, 1993-2005 | Embaixada de Portugal em Andorra - Claustre dês Miralls dês Santuari de Meritxell - Andorra a Velha, Andorra, Espanha.
A Arquitectura pela objectiva de Fernando Guerra | Universidade Lusíada, Lisboa, Portugal.

2005
Arquiprojecta | Escritório da Simmons & Simmons Rebelo de Sousa,
Lisboa, Portugal.
A Arquitectura pela objectiva de Fernando Guerra | Galeria Colorfoto,
Porto, Portugal - Teatro Académico de Gil Vicente | Coimbra, Portugal - Galeria Design Dimensão | Lisboa, Portugal.
Prémio Revista Constructiva | Colégio de Arquitectos da Catalunha,
Girona, Espanha.

2004
Retornos de Olhar | FNAC Chiado | Lisboa, Portugal.

2003
Fernando Guerra | Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa (FAUTL) | Lisboa, Portugal.


 

Exhibitions

2009
between reports 01 | Colorfoto Gallery | Porto, Portugal.

2008
Perfect World | Casa da Cultura Fernando Távora | Aveiro, Portugal - Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Portugal – Ordem dos Arquitectos | Lisbon, Portugal.
Álvaro Siza. Modern Redux | Instituto Tomie Ohtake | São Paulo, Brazil.
Álvaro Siza. Perfect World | dARQ, Universidade de Coimbra | Coimbra, Portugal.
PHOTOARQUITECTURA 08 | Collegi Oficial d’Arquitects de les Illes Balears, Palma de Mallorca, Spain.

2007
Álvaro Siza works | Embassy of Portugal in New Delhi Nova/Instituto Camões - Gallery Lali Kala Academi, under the VIII EU-Índia Summit,
New Delhi, India.
Álvaro Siza works | Russian Avantgarde Foundation, Schusev State Museum of Architecture, the Embassy of Portugal in Moscow/Instituto Camões - Schusev State Museum of Architecture | Moscow, Russia.
Álvaro Siza works | Accademia di Architettura di Mendrisio – Gallery of the Accademia di Architettura di Mendrisio | Mendrisio, Switzerland.
Álvaro Siza | Architecture Triennale of Lisbon 2007, the Electricity Museum, Lisbon, Portugal.
Álvaro Siza works | Benaki Museum | Athens, Greece.
20 years Atelier Arquiprojecta | Lisbon, Portugal.
The representative of Epson Portugal at the European K3 Press Launch - Institut du Monde Arabe | Paris, France.

2006
Álvaro Siza - Photos by Fernando Guerra | Álvaro Siza Hall Anyang, Anyang, South Korea.
Álvaro Siza: Pavellons et museums, 1993-2005 | Embassy of Portugal in Andorra - Claustre dês Miralls dês Santuari de Meritxell - Andorra la Vella, Andorra, Spain.
Architecture through the lens of Fernando Guerra | Universidade Lusíada, Lisbon, Portugal.

2005
Arquiprojecta | Office of Simmons & Simmons Rebelo de Sousa | Lisbon, Portugal.
Architecture through the lens of Fernando Guerra | Colorfoto Gallery | Porto, Portugal - Teatro Académico de Gil Vicente | Coimbra, Portugal - Design Dimensão Gallery | Lisbon, Portugal.
Award from Constructiva Magazine | Colégio de Arquitectos da Catalunha, Girona, Spain.

2004
Return to Watch | FNAC Chiado | Lisbon, Portugal.

2003
Fernando Guerra | Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa (FAUTL) | Lisbon, Portugal.

Conferências

2009
Portugal Convida | Centre de Cultura Contemporània de Barcelona, Espanha.

2008
PHOTOARQUITECTURA 08 | Collegi Oficial d’Arquitects de les Illes Balears, Palma de Maiorca, Espanha.
Mundo Perfeito | Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Portugal.

2006
Fernando Guerra | LG Festival | Seoul, Coreia do Sul.

2003
Fernando Guerra | Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa (FAUTL) | Lisboa, Portugal.

 

Conferences

2009
Portugal Calls | Centre de Cultura Contemporània de Barcelona, Spain.

2008
PHOTOARQUITECTURA 08 | Collegi Oficial d’Arquitects de les Illes Balears, Palma de Mallorca, Spain.
Perfect World | Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Portugal.

2006
Fernando Guerra | LG Festival | Seoul, South Korea.

2003
Fernando Guerra | Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa (FAUTL) | Lisbon, Portugal.

Entrevistas

2009
"Mi forma de mirar es la de um Arquitecto" | Ceramicaplus magazine, Espanha.

a | c - Reed Business Information magazine | Lisboa, Portugal.

2008
Um olhar sobre a arquitectura | #27 n*style magazine | Portugal.
Fotografia de Arquitectura | Super Foto Magazine - Março 2008 | Portugal.
Jornal Meia Hora | 162 - 13 de Março | Lisboa, Portugal.
Dibujos Visuais | 022 +arquitectura revista | Lisboa, Portugal.

2006
Luz sobre Portugal | www.arkinetia.com

 

Interviews

2009
My way of seeing is that of an Architect | Ceramicaplus magazine | Spain.
a | c - Reed Business Information Magazine | Lisbon, Portugal.

2008
“Um olhar sobre a arquitectura” | #27 n*style magazine | Portugal.
"Fotografia de Arquitectura" | Super Foto Magazine - March 2008 | Portugal.
Meia Hora Daily | 162 - March 13th | Lisbon, Portugal.
“Dibujos Visuais” | 022 +arquitectura magazine | Lisbon, Portugal.

2006
“Luz sobre Portugal” | www.arkinetia.com


Online

2009
ULTIMAS MAG | Centro de Documentação Álvaro Siza www.ultimasreportagens.com/mag | Revista online (Pt | Eng)

2007
ULTIMAS MAG | Adega Mayor – Álvaro Siza www.ultimasreportagens.com/mag | Revista online (Pt | Eng)

2005
www.ultimasreportagens.com (Pt | Eng)

2003
www.fernandoguerra.com


 

Online

2009
ULTIMAS MAG | Centro de Documentação Álvaro Siza
www.ultimasreportagens.com/mag | Revista online (Pt | Eng)

2007
ULTIMAS MAG | Adega Mayor – Álvaro Siza www.ultimasreportagens.com/mag | Revista online (Pt | Eng)

2005
www.ultimasreportagens.com (Pt | Eng)

2003
www.fernandoguerra.com






Textos | ABOUT

"A arquitectura da fotografia"
Manuel Graça Dias

“Reconfigurar o mundo”
Luís Urbano

"Mundo perfeito"
Ana Vaz Milheiro

"Foto-síntese"
Nuno Grande



 


O Fazedor
Pedro Gadanho

Já devem ter reparado que, dentro do universo da fotografia contemporânea, a fotografia de arquitectura se transformou, nos últimos anos, num campo à parte. Ganhou autonomia. Tem a sua história e as suas referências. Tem os seus autores e os seus subgéneros. Está prestes a lograr a perfeição.
Tal como a recurso à fotografia por parte da arte contemporânea detém um território especial –que por vezes se cruza com o do campo que aqui descrevo– também o olhar profissional sobre os mundos construídos da arquitectura ganhou as suas lógicas próprias.
Como se comprovava num recente seminário internacional sobre arquitectura e imagem, também este campo detém agora os seus historiadores, as suas estrelas e os seus debates internos.
E os media da fotografia de arquitectura começam, naturalmente, a imiscuir-se com os media da produção arquitectónica que essa fotografia retrata.
Enquanto os blogues internacionais começam a dedicar uma atenção particular aos autores deste campo – a entrevistá-los, a descobrir os seus temas, a analisar a especificidade da sua produção individual–  um dia destes, que já não está longe, perguntar-nos-emos se os media da arquitectura não se tornaram, entretanto, nos media desta fotografia específica.
Poderá parecer perverso que tal aconteça, mas a verdade é que, num mundo construído sobre a lógica da imagem, a fotografia ajuda a construir a arquitectura – e, portanto, é justo que um dia lhe tome parcialmente o lugar.
As ficções arquitectónicas da fotografia contemporânea, a que já me referi noutros contextos, não são senão uma evidência sub-reptícia desta metamorfose.

Fernando Guerra é fotógrafo de arquitectura. A sua formação, porém, é de arquitecto. O seu olhar divide-se entre dois modos distintos  de construir o mundo. Por esta circunstância, ele encontra-se numa posição privilegiada para protagonizar a metamorfose do campo fotográfico que fará com que esta prática de criação de imagens se venha a identificar, em parte, com o próprio campo arquitectónico.
Posso oferecer uma prova pessoal: sendo irónico que uma casa minúscula como a Casa Baltasar tenha tido uma projecção mediática tão proeminente, a imagem que teve o dom de projectar esta arquitectura menor para essa enorme visibilidade foi descoberta por Fernando Guerra.
O potencial estava lá, é certo, mas foi o olhar de Guerra que, entre outras imagens já antevistas, fixou em definitivo a espacialidade peculiar de um determinado ponto de vista.
Como acontece com outros, não se dá aqui o caso de que Fernando Guerra ambiciona transferir o seu desejo de fazer arquitectura para a elaboração de imagens que substituam a própria arquitectura. Mas a leitura e a interpretação também constroem mundos. E como na história dos cartógrafos de Jorge Luís Borges, pode acontecer que estes mundos se justaponham à realidade de forma tão justa que se vêm a confundir com ela.

Quando a FG+SG surgiu na arena da fotografia de arquitectura, oferecia aos arquitectos um modelo de negócio irresistível. Guerra não só fotografava, e bem, as obras de arquitectura, mas a sua presença estratégica na rede virtual funcionava, ainda, como uma importante plataforma de visibilidade para as imagens produzidas.
Construía-se, deste modo, não apenas um “mundo perfeito,” mas também as ferramentas perfeitas para a indispensável e desejável difusão das obras retratadas.
Com esta vantagem competitiva e o brio de um impecável profissionalismo, a FG+SG começou, primeiro inadvertidamente, depois conscientemente, a construir o mais vasto arquivo da arquitectura portuguesa contemporânea hoje disponível.
A sua obra fotográfica tornou-se expressiva de um potencial ainda inaudito na curta história da autonomia deste novo campo: a cartografia do seu arquivo tornou-se indistinguível da realidade da arquitectura portuguesa a que, naturalmente, todos os arquitectos portugueses aspiram pertencer.
Independentemente da sua própria vontade, Fernando Guerra tornou-se o fazedor do império.

Pedro Gadanho divide a sua actividade entre arquitectura, curadoria, crítica e docência universitária. É MA in Art & Architecture e realizou doutoramento na F.A.U.P., onde lecciona. É editor do blog ShrapnelContemporary e do bookazine Beyond, Short-Stories on the Post-Contemporary, em Amsterdão, contribuindo regularmente para outras publicações a nível internacional. Foi comissário de ‘Metaflux,’ representação portuguesa na Bienal de Veneza de Arquitectura de 2004, e de mostras como ‘Space Invaders,’ ‘Post. Rotterdam,’ ‘Pancho Guedes,Um modernista alternativo,’ e ‘Habitar Portugal 2006-2008.’ Integrou a direcção da ExperimentaDesign, entre 2000 e 2003. Os seus projectos de arquitectura incluem a Casa Laranja, em Carreço, o Art Center da Fundação Ellipse, e a Casa Baltasar, no Porto. shrapnelcontemporary

 

The Maker
Pedro Gadanho

You must have already noticed that within the world of contemporary photography, architectural photography has become a field apart in recent years. It has won its autonomy. It has its own history and references. It has its own authors and subgenres. It is about to achieve perfection.

Just as contemporary art’s use of photography is a special territory -sometimes intersecting with the field I describe here- so too has the professional gaze towards architecture’s constructed worlds gained its own logic.
As confirmed during a recent international seminar on architecture and image, this field also now has its historians, its stars, and its internal debates.
And the media of architectural photography are naturally starting to meddle with the media of architectural production depicted by the photography.
As international blogs start devoting particular attention to the auteurs of this field - interviewing them, discovering their subjects, examining their specific, individual productions - one day, in the not-so-distant future, we will ask ourselves if the media of architecture did not, in the meantime, become the media of this specific kind of photography.
It might seem perverse if this happens, but the truth is that in a world constructed according to the logic of the image, photography helps construct architecture - and, therefore, it is fair if it one day partially takes its place.
The architectural fictions of contemporary photography, which I have mentioned elsewhere, are nothing if not surreptitious evidence of this metamorphosis.

Fernando Guerra is an architectural photographer. Yet, his degree is in architecture. His vision is divided between two distinct ways of constructing the world. Due to these circumstances, he is in a privileged position to serve as a protagonist in the metamorphosis of photography that will lead the practice of creating images to identify, in part, with the field of architecture itself.
I offer personal proof: it is ironic that a tiny house like the Casa Baltasar had such prominent media projection. The image with the power to project this minor example of architecture towards such enormous visibility was discovered by Fernando Guerra.
Admittedly, the potential was always there, but it was Guerra’s vision, among other previously imagined images, that definitively cemented the peculiar concept of space of a determined point of view.
Contrary to what happens with others, Fernando Guerra does not attempt to transfer his desire to make architecture by creating images that substitute architecture itself. But reading and interpretating also construct worlds. And like the story of the cartographers of Jorge Luis Borges, it is possible that these worlds are juxtaposed with reality in such an accurate way that they merge.
When FG+SG entered the arena of architectural photography, it offered architects an irresistible business model. Guerra not only photographed –and well- works of architecture, but his strategic presence on the virtual network still functioned as an important platform for visibility of the images produced.

In this way, not only was a "perfect world" constructed, but also the perfect tools were created for the essential and desirable dissemination of the depicted works.
With this competitive advantage and the commitment of impeccable professionalism, FG+SG began, first inadvertently, then consciously, to build the largest archive of contemporary Portuguese architecture available today.
His photographic work has become the expression of a still unprecedented potential in the short history of this new autonomous field. His archive has become indistinguishable from the reality of Portuguese architecture to which, naturally, all Portuguese architects aspire to be a part. Regardless of his own volition, Fernando Guerra has become the maker of the empire.

Pedro Gadanho is an architect, curator and writer based in Lisbon. He is an MA in art & architecture, holds a PHD on architecture & mass-media from F.A.U.P., where he currently teaches. He is the editor-in-chief of the bookazine BEYOND, Short-stories on the Post-Contemporary, curates the blog Sfrapnel Contemporary and contributes regularly to other international publications. He co-authored two TV series and, between 2000 and 2003, was one of the chief curators of ExperimentaDesign, the Lisbon Biennial. He curated Metaflux, the Portuguese representation at the 2004 Architecture Venice Biennale, and other exhibitions such as Post.Rotterdam, for Porto2001, Space Invaders, for the British Council London, Pancho Guedes, for the Swiss Architecture Museum, and most recently Habitar Portugal 2006-1008. Amongst exhibition layouts, galleries and refurbishments, his designs include the Ellipse Foundation in Lisbon, and the widely published Orange House, in Carreço, and Family Home, in Oporto. shrapnelcontemporary


 


A ARQUITECTURA DA FOTOGRAFIA
Manuel Graça Dias

Teve que passar bastante tempo, depois de 1839 e dos primeiros daguerreotipos que reproduziam "quadros" postos à frente do fotógrafo (para alegria e espanto sobretudo daqueles que sempre tinham, secreta e miticamente, ambicionado poder um dia ficar fixados numa tela através do "génio" de um artista pintor), para que a fotografia ganhasse um estatuto próprio, como se sabe.

Se para a pintura foi fundamental essa data -- para se poder começar a desvincular da obrigação de "reproduzir" o real, para se poder dedicar ao que sempre verdadeiramente lhe interessara (o recorte, os contrastes, a luz, a sombra, o despertar da cor ou o seu súbito desvanecimento, tomando como base troços visualizados do mundo real, mas também outras imagens: inventadas, sonhadas, derivadas ou irreconhecíveis) --, para a própria fotografia terá parecido muito pouco provável a saída imediata desse inicial universo de figuração e de composição em espelho, a devolver, simbólico, a quem se desejava ver retratado.

No entanto, ganha a "objectividade" da devolução da imagem, sobrava ainda o subjectivo "olhar" aberto através do quadrado onde batia a luz, nas costas do fole das câmaras fotográficas. O sublime da arte foi descoberto quando se compreendeu o encanto de re-olhar o que já conhecíamos, deixando "em fundo" garantido o "documento" e trazendo "para a frente", a espécie de renovação rectangular que, simultaneamente, o isolava do mundo e do contexto.

[As "câmaras mentem tanto", diz-nos Bill Watterson através da boca de Calvin ("Calvin & Hobbes", Público, 15 de Outubro de 2002)].

A fotografia "documental" passou a existir (daí o seu encanto) neste estreito esmagamento temporal, entre a felicidade do acontecimento, do ambiente ou da acção a reproduzir e o vislumbrado novo modo de os "enquadrar" (com a assistência da "técnica", que permitirá a melhor abertura face à luz, o melhor "foco", a melhor profundidade de campo).

A "Fotografia de Arquitectura" inserindo-se nesta categoria, obrigará, ainda, suplementarmente, a um enorme rigor em qualquer dos níveis considerados.

Exigir-se-lhe-á, primeiro, que nos devolva a compreensão do espaço retratado. Tarefa impossível, porquanto o espaço e as suas múltiplas dimensões não se deixam "prender" na bidimensionalidade da convergência perspéctica da reprodução fotográfica; mas uma "aproximação", uma "aproximação" que nos acorde as memórias de outras experiências e que nos sugestione o tipo de espaço, as preocupações do autor, o que sentiu o fotógrafo que o habitou antes de no-lo tentar devolver e à pesada leveza do que o envolve.

Quanto tempo (dias) aguardará pelo sol? Aquele sol -- daquele dia -- as sombras que provoca? Não para "falsear" na revelação a sua estadia, mas porque sentiu caracterizador (e então uma boa hipótese de sugestão), aquela particular sombra de um dia de Verão.

Depois o olhar, o tal quadrado ou quadro que é o interior do enquadramento: como vai o fotógrafo de arquitectura "enquadrar"? O que omitirá? De que cuidados e éticas se rodeará, com a caixa aberta perscrutando o construído? Procurando o real? Revendo o real?

Só depois a "técnica", mediando ambas, pedida por ambas. E representar a Arquitectura irá exigir a ilusão de eliminar a distorção perspéctica, encontrando o non troppo herdado da composição renascentista, regressando à alvenaria plasmada em plano que o nosso olhar, educado por séculos de imagens, aprendeu a admitir. Entram as lentes ajustadas e as baterias de máquinas aqui; por vezes, ainda um pouco de photoshop, para anular um prematuro grafitti, uma mancha quase mínima ou uma sombra que só a cuidadosa observação posterior da imagem revelou.

Mostrar a arquitectura. Todos os arquitectos se julgam fotógrafos. Vítor Figueiredo especulava sobre o tema.

O que levará os arquitectos a sentirem-se tão à vontade por aí, sabendo nós que só de alguns -- poucos --, nos interessarão as fotografias?

Os arquitectos emocionam-se com a arquitectura: com a do passado, com a moderna, com a qualidade e com a originalidade do espaço, com o acerto geométrico do espaço que o espaço parecerá conter. E querem guardar essas emoções. Querem (imaginam querer), mais tarde, poder olhar o pedaço de real, recompondo mentalmente esse real. Querem copiar, transportar aquela emoção, refundi-la, eventualmente, noutros contextos, também reais.

Muitos tropeçarão, por isso, na armadilha da "objectividade". Outros divagarão sobre o olhar, propondo-nos outros olhares. A poucos sobrará a necessária paciência para, emocionados, aguardarem o acordar da manhã, o primeiro raio de sol ou então o último, a sombra longa estendida, o brilho no cerâmico, a passagem dos bandos de pássaros à hora da algazarra.

Na sua actividade solitária, privilegiarão os corredores vazios para melhor poderem, e mais à vontade, experimentar, testar, inventar o olhar.

Só quando virem passar ao longe fugaz um aluno, numa escola em férias, compreenderão então, quanto aquele vulto, subitamente, é de tal modo definitivo para a compreensão da dimensão do corredor, para o corte da luz que "rebenta" o fundo, para a inscrição da escala, face à altura do todo.

Mas a lenta artilharia técnica não se compadece com a frescura da reportagem que o arquitecto desejaria atenta, acordada e "plástica" face aos acontecimentos.

Ali, onde os acontecimentos seriam o espaço parado existente, mexido pela solene passagem do sol, no enfiado preciso com a porta-corredor-tubo, é o arquitecto-fotógrafo que, depois de tudo ajustar, emprestará ainda o seu corpo à imagem do espaço que anteviu, na ausência desse aluno que só verá do espaço a imagem mais tarde.

 
THE ARCHITECTURE OF PHOTOGRAPHY
Manuel Graça Dias

As is known, it took quite a long time before photography gained its own independent status following 1839 and the first daguerreotypes reproducing “portraits” in front of the photographer (to the delight and surprise of especially those who had, secretly and mythically, always wished to be permanently captured on canvas through the painter’s “genius”).

If this date was fundamental for painting -- in order to begin to free itself from the obligation of “reproducing” reality and to focus on what had always been of true interest (contour, contrasts, light, shadow, bursts of colour or its sudden vanishing, taking as a starting point glimpses of the real world, but also of other images: invented, dreamt, derived or unrecognisable) --, for the photograph itself, an immediate escape from this initially mirrored compositional universe was very unlikely, as it constituted a symbolic return to whomever desired a portrait of themselves.

Nevertheless, with the image’s new-found “objectivity”, a subjective “view” remained, opened by the square where the light shone on the back of the camera’s bellows. The art’s sublime nature was discovered through a marvelled re-examination of what we were already familiar with, leaving the “document” in the “background” and bringing to the “foreground” a kind of rectangular renovation that simultaneously isolated it from the world and its context.

The “documental” photograph has come to exist within this narrow, temporal crush (therein its charm), between reproducing the joy of an environment, event or action and the transient, novel method for “capturing” it (with “technical” assistance, allowing for greater aperture, “focus”, and depth of field).

As part of this category, the “Photography of Architecture” would eventually demand enormous, albeit supplementary, rigour at any one of the levels considered.

First of all, it would require that it return our understanding of the depicted space to us: an impossible task seeing that the space and its multiple dimensions do not lend themselves to being “captured” by the two-dimensional, perspectival convergence of photographic reproduction; it is rather an “approximation”, an “approximation” evoking memories of other experiences and which is suggestive of the type of space, the author’s concerns, of what the photographer who inhabited the space felt before attempting to return it to us, and the heavy lightness surrounding it.

How long (days) will he wait for the sun? That sun -- on that day -- the provocative shadows? Not in order to “distort” his sojourn during development, but because he felt that particular shadow on a summer’s day to be characteristic (and thus a good suggestive possibility).

Following the view, thesaid square in the interior of the frame: how is the architectural photographer going to “frame” it? What will he omit? What precautions and ethics will he surround himself with, the open shutter scrutinising the structure. Searching for what is real? Re-examining what is real?

Only afterwards comes the “technique”, mediating both and required by both. Depicting architecture would come to require the illusion of eliminating perspectival distortion, finding the non troppo inherited from Renaissance composition, returning to the flat moulded masonry that our eye, educated by centuries of images, has learnt to allow for. Adjusted lenses and batteries enter here; sometimes even a bit of photoshop to delete untimely graffiti, an almost minimal spot or a shadow that only a subsequent careful observation of the image has revealed.

Show architecture. All architects see themselves as photographers. Vítor Figueiredo speculated on the subject.

What leads architects to feel so at ease in this field, knowing that the photographs will only interest a few?

Architects are excited by architecture: both from the past as well as modern, by the quality and originality of the space, with the geometric reason it seems to contain. They want to preserve this excitement. They want (imagine they want) to be able to look at a piece of reality later, mentally recomposing this reality. They want to copy and transport that excitement, reshaping it, possibly, for other, real contexts.

Many will therefore fall into the trap of “objectivity”. Others will skirt around the view, proposing new ones. A few will remain with the necessary patience to excitedly preserve the dawn, the first or last of the sun’s rays, the long, extended shadow, its glimmer on the ceramics, the passing of flocks of birds during the hour of din.

In their solitary activity, they will favour the empty corridors to be better able to (and more at ease to) experiment, test, and invent their “view”.

Only in the fleeting distance, when they catch a student in a school closed for the holidays, will they then understand how much that figure is suddenly so definitive for understanding the corridor's dimensions, the sliver of light that splinters the background, the scale’s inscription, faced with the height of the whole.




 
RECONFIGURAR O MUNDO
Luís Urbano

Não acredito na objectividade da fotografia. Por mais que muitos tentem apagar as contingências subjectivas da vida quotidiana que contaminam os espaços puros que os arquitectos desenham, uma imagem de um qualquer objecto arquitectónico, ou simplesmente de um objecto, é sempre a imposição de um ponto de vista. De quem fotografa, de quem escolhe o enquadramento, de quem escolhe a luz, o tempo de exposição, o tipo de lente, a máquina. É um olhar que implica uma escolha, ou infinitas escolhas, e é por definição (definitivamente?) subjectivo.

Não acredito no mito do fotógrafo de arquitectura contemplador que acha possível escolher a priori um único olhar sintético que conjugue tudo o que uma obra de arquitectura encerra. A arquitectura é por definição múltipla, dependente de inúmeras variáveis, nunca totalmente apreensível, infinitamente interpretável. A percepção da arquitectura depende da conjugação de múltiplos pontos de vista, da reconstituição mental de inúmeros espaços.

Aldo Rossi, na sua “Autobiografia Científica” reconhece que “a observação das coisas permaneceu, provavelmente, como a minha mais importante educação formal e isto porque a observação se transforma mais tarde em memória”. Ao olhar para trás, Rossi cruza a sua própria cultura, a memória das coisas, “que consigo ver dispostas ordenadamente, como num herbário, num catálogo ou num dicionário”, com a imaginação. Este processo não é linear, havendo um cruzamento entre ambas que produz diferentes significados, isto é, o resultado dessa hibridação é mais do que a simples soma das partes. “Este catálogo, situado algures entre a imaginação e a memória, não é neutral. Reaparece quase sempre nalguns objectos constituindo a sua deformação e, em certa medida, a sua evolução”. O que observámos no passado reaparece na presença do novo, filtrado pela força da memória das coisas, permitindo um novo olhar, com sentido crítico. É a memória que forma o olhar, permitindo a deformação dos objectos, isto é, quando olhamos para um qualquer objecto, arquitectónico ou não, ele transfigura-se quando cruzado com a recordação daquilo que já vivemos.

O olhar de Fernando Guerra é um olhar de arquitecto. Para compreender o espaço, os arquitectos, eventualmente com uma intencionalidade mais consciente que os simples utilizadores, circulam pelos edifícios. Captam a espacialidade da arquitectura deambulando, perscrutando, fazendo associações de ideias, de formas, de dimensões. É através desse movimento que descobrem as infinitas variáveis do espaço arquitectónico, as singularidades que fazem distinguir um espaço significante da miríade de construções insignificantes que invadem o nosso campo visual. E fazem-no cruzando aquilo que vêem com as memórias de outros edifícios que transportam consigo, muitas vezes adquiridas através da observação mediada pela fotografia. A nossa cultura arquitectónica, na impossibilidade de visitar todos os edifícios do mundo, é maioritariamente construída através do olhar de outros.

Através da generosidade de nos oferecer múltiplos pontos de vista de um edifício, as reportagens fotográficas de Fernando Guerra aproximam-se da vivência real do espaço, ao permitir que reconstituamos um lugar através da soma de todas imagens. Nesse sentido aproxima-se também da linguagem cinematográfica, não só pela implícita ideia de movimento que as suas imagens transmitem mas também pelo sentido narrativo que lhes imprime o fotógrafo. E daí a necessidade, quase obsessiva, de incluir personagens nos seus enquadramentos. Por vezes personagens anónimas, outras vezes os arquitectos, muitas vezes o próprio fotógrafo. Certamente não por qualquer vontade de auto representação, mas pela necessidade de dar sentido e escala a um determinado espaço, que na ausência de uma figura humana se tornaria incompreensivelmente abstracto. Há uma vontade de que cada imagem encerre um fragmento de vida, uma história pessoal, mas onde os personagens são suficientemente indefinidos, vultos quase, para deixar o observador imaginar o quadro que entender. Como em Julius Schulman, as imagens de Fernando Guerra procuram, para além de representar a arquitectura, captar um sentido de lugar, uma atmosfera que define a época contemporânea. Mas o que em Schulman era intencionalmente encenado, com um sentido narrativo por vezes demasiado literal, em Guerra é intencionalmente difuso, permitindo imaginar todas as histórias que aí terão lugar.

A palavra perfeição encerra uma certa radicalidade, já que implica um estado limite, sem evolução possível. Quando se atinge a perfeição nada mais há a fazer senão contemplar o belo. Mas ao mesmo tempo a busca da perfeição pode ser um acto generoso. Quando se tem por objectivo encontrar as melhores imagens para representar a essência e o conceito de um edifício, está-se a responder aos desejos daqueles que o projectaram. Tal como os arquitectos reconstroem um mundo particular em cada projecto, procurando dar um sentido de unicidade a partir das variáveis com que se confrontam - do cliente ao lugar, da geografia ao orçamento, das contingências materiais às limitações estruturais - as fotografias de Fernando Guerra devolvem à arquitectura essa procura da perfeição possível, “intensificando a realidade retratada”, reconfigurando o mundo que a rodeia.

Mundo Perfeito, livro e exposição, mostra também a vontade de conjugar arquitecturas que partilham uma mesma identidade, a arquitectura feita em Portugal, hoje. Não fossem as conotações demasiado politizadas, mundo aqui poderia querer dizer mundo português. Mas um mundo português agora aberto aos outros mundos, plural, democrático, cosmopolita. A circunstância de serem obras feitas em território português ou por portugueses noutros territórios, e apesar da volatilidade do que hoje representa a ideia de fronteiras e identidades nacionais, não deixa de constituir um denominador comum que justifica a sua aglutinação num conjunto reconhecidamente heterogéneo mas unificado pelo olhar de Fernando Guerra. O seu trabalho, e basta passar pelo ultimasreportagens.com para o perceber, não se limita apenas a um acervo de imagens de arquitectura, valiosíssimo por sinal, pelo que significa de possibilidades de divulgação dentro e fora de portas; antes se institui como um discurso autónomo e original sobre a arquitectura portuguesa contemporânea.



 

MUNDO PERFEITO
Ana Vaz Milheiro

A arquitectura está associada aos primórdios da fotografia: “No início da invenção fotográfica, devido aos longos tempos de exposição e à pouca maleabilidade dos químicos, a imobilidade do objecto fotografado era indispensável." De objecto adequado à reprodução através do método daguerreótipo, o edifício acabou mais recentemente como tema para a fotografia contemporânea. A tendência tem-se sobreposto à prática corrente de fotografar arquitectura. O efeito sobre o observador comum é relevante. Tomando-se como objecto de artistas, mais precisamente de fotógrafos-artistas, a arquitectura perde materialidade na mesma proporção em que a fotografia que a representa deixa de desejar captar uma dimensão “real”.

O processo pode ser talvez ilustrado através da forma como também os meios de produção da arquitectura – como as maquetas – têm vindo a incorporar o universo dos artistas e dos fotógrafos. Casos como o de Thomas Demand são disso exemplo. Demand fotografa maquetas simulando lugares ou construções onde ocorreram factos “reais” e, na maior parte das vezes, mediáticos. Por vezes essas maquetas são “adulteradas”, intervindo-se deste modo sobre a memória colectiva de um determinado acontecimento onde a arquitectura desempenhou um papel significativo. Ao fotografar a maqueta de um edifício não construído de Albert Speer para a Exposição Internacional de Paris de 1937, Demand “refez” a maqueta sem os símbolos do nazismo, e assim “em Modell, o edifício de Speer aparece representado a branco na tradição modernista.”

Estes registos são todavia “não documentais”, inscrevendo-se portanto no domínio da arte. A sua relevância para a arquitectura assenta no entendimento sobre a prática que de modo genérico provoca no público – precisamente por alterar as percepções ligadas ao contexto, ao espaço, ou aos materiais (cores, texturas, etc.).

Fotógrafos conceituados mantêm uma forte ligação com obras de certos autores. O trabalho de Thomas Ruff, por exemplo, tem um vínculo importante com a arquitectura de Jacques Herzog e Pierre de Meuron, chegando mesmo a conseguir que imagens bidimensionais substituam no imaginário corrente os edifícios projectados pelos dois arquitectos.

A ligação data de 1991, quando Ruff realizou as fotografias que representaram o trabalho deste escritório sediado em Basileia na Bienal de Veneza. Não foi a primeira incursão de Ruff pela arquitectura (que remontava a 1987), mas revelou-se exemplar: “Ruff had never heard of the Swiss architects and initially turned the job down. He knew how demanding architectural photography is. You can only work on Sunday morning when traffic and pedestrians are at a minimum and only from the beginning of January to mid March, when the lighting is right, thanks to the overcast skies.” Supostamente, exigências técnicas restritas dificultavam a concretização do projecto.

Havia ainda um outro argumento significativo que Ruff a dada altura teria evocado: tratando-se de um artista plástico não desejava ser recrutado para um trabalho. Este aspecto da relação inicial entre Ruff e os arquitectos mostra como há nesta ligação uma liberdade muito particular que é gerida pelo artista e não pelo “encomendador”. Fica claro neste testemunho que quem definiu as regras foi o fotógrafo, não os arquitectos. Dos edifícios fotografados, seriam míticos os processos utilizados com o objectivo de tornar o resultado “pictórico”. Sem profundidade, o espaço manter-se-ia “não representado”. Em alguns casos as imagens foram manipuladas ao ponto de se retirar os elementos que inibissem uma leitura “plana” dos edifícios. E também aqui se chegou a fotografar maquetas em vez das obras.

“A arquitectura torna-se imagem”, escreve a este propósito Pedro Bandeira. A fotografia autonomiza-se do seu tema – apropria-se e modifica…“A picture is a picture. It should not generate the illusion of depth. Reality can be as deep as it wants. I make my picture on the surface.” Não se trata exactamente de desenvolver uma relação com a arquitectura, antes com uma imagem que se pode fabricar a partir dela.

Para Herzog & de Meuron, Ruff fotografa essencialmente exteriores; enquanto Candida Höfer, outra alemã, prefere os espaços interiores escolhidos ao acaso e sem um enquadramento arquitectónico autoral, histórico ou estilístico. “As fotografias de Candida Höfer são sobre as qualidades estéticas do espaço, os seus limites e sobre a relação que o olhar estabelece com as grandezas determinadas arquitectónica e escultoricamente”. Se as suas imagens surgem conjecturalmente como mais “arquitectónicas”, na verdade, não o são e o “seu ímpeto é … puramente fotográfico.” Höfer recorda-o: “Há sempre uma diferença entre a imagem e o que chamamos de realidade. Às vezes as pessoas esquecem-se disso quando deparam com o ‘medium’ fotográfico. Trata-se de um mal entendido histórico sobre esse ‘medium’.”

Apesar de se afastarem do mundo da arquitectura, como é aqui explicado pela fotógrafa alemã, imagens de artistas como Ruff ou Höfer têm causado um forte impacto entre os arquitectos, repercutindo-se nas representações que alguns procuram – enquanto autores de edifícios – da sua própria arquitectura. Talvez porque reforçam o carácter esteta da obra e uma certa inacessibilidade que garante a conotação do edifício como peça de excepção. Em Portugal, a representação da obra dos irmãos Aires Mateus pelo fotógrafo Daniel Malhão aproxima-se desta tendência. No entanto, para que essa representação não perca eficácia comunicativa é indispensável que a arquitectura seja o objecto da fotografia e não apenas o tema, isto é, que não seja somente um tema tratado como o nu ou a natureza morta na pintura. Este facto faz sobreviver a fotografia de arquitectura enquanto acto isolado da produção de arte. E frequentemente essas imagens não são vistas com autonomia artística, merecendo até desconfiança nos circuitos expositivos.
É também habitual, os arquitectos estabelecerem ligações de dependência em relação a certos “enquadramentos fotográficos”. Fazendo a conversão para a realidade portuguesa, pode-se trazer aqui o caso dos edifícios de João Luís Carrilho da Graça, maioritariamente fotografados por Maria Timóteo, fotógrafa “residente” do escritório. E há, é claro, o domínio da objectiva “realista” de Luís Ferreira Alves que imprime um cunho “não artificioso” aos seus registos – aproximando-se de uma captação tendencialmente mais “autêntica”. A sua “visão” acabaria por interpretar um certo tom lacónico da arquitectura portuguesa inscrita na tradição da Escola do Porto, tornando-o um dos mais “alinhados” fotógrafos nacionais. Num plano mais autoral estaria, por exemplo, José Manuel Rodrigues, na sua prática intermitente de fotógrafo-de-arquitectura onde claramente predomina a persona artística, como comprovam os seus registos de edifícios sizianos. Os diferentes registos das Piscinas de Leça, captados num tempo longo, são a este propósito eloquentes.

Estamos, é claro, no universo de fotógrafos que, ao contrário de Demand, Ruff ou Höfer, estão em condições de reproduzir edifícios e não apenas de fabricar imagens motivadas por eles. Significa que a fotografia não é aqui um fim em si mesmo, mas um meio. Fernando Guerra está neste último grupo. É um fotógrafo que, tendo formação como arquitecto, mede bem as demandas que a arquitectura solicita. Deliberadamente não a trata como tema artístico, o que não significa que as suas imagens não sejam extremamente “calculadas”.

Fotografar arquitectura é, na sua génese, um gesto “comedido”: trata-se de entrar na obra do “outro” e captar o que lhe é fundamental, sem comprometer a lógica dos seus conteúdos. Não se deseja “modificar” – numa referência óbvia ao trabalho de Ruff sobre os edifícios de Herzog & de Meuron –, antes “fixar”. Parece portanto ser um lugar difícil à criatividade de autor já que, aparentemente, o fotógrafo prescinde da centralidade do seu olhar para deixar o edifício fluir através das imagens. As mesmas imagens que construirão a memória futura que se formará desses edifícios.

A fotografia constrói uma imagem alternativa à arquitectura e, num universo mediático, confunde-se com a própria arquitectura. No domínio do público, o reconhecimento da “excepcionalidade” de um edifício está muitas vezes associado ao seu registo em fotografia. Significa que, para chegar a um plano de maior comunicabilidade, a arquitectura depende muito de quem a fotografa; principalmente do modo como é fotografada.

Metodologicamente, o processo de trabalho de Fernando Guerra é extremamente escrupuloso, procurando não descurar algum detalhe que possa vir a revelar-se fundamental na compreensão do edifício: a exposição à luz (diurna/nocturna); o posicionamento da objectiva; o movimento coreografado das pessoas. Fernando Guerra “vê” inclusive pormenores que estão inacessíveis a olho nu; perspectivas insondáveis. Possui um profundo domínio dos skills técnicos. As suas fotografias são meticulosamente preparadas, mesmo na gestão do próprio serviço que as tecnologias podem fornecer para um apuramento da “perfeição”. Evolui depois para a determinação do melhor enquadramento possível, o que faz delas, imagens límpidas e “puras”, livres de qualquer intromissão que possa comprometer o equilíbrio compositivo (que também é gráfico) e a clareza do objecto fotografado. O universo da arquitectura que Fernando Guerra nos propõe é, quase sempre, um mundo perfeito. Panorâmico. Não-contaminado. Luminoso.

É neste sentido que Fernando Guerra lança um olhar generoso sobre a arquitectura que regista. Entre os edifícios que fotografa, não se percebe, exactamente, um juízo de valor sobre os conteúdos da arquitectura; antes um controle, ao nível das emoções, que busca homogeneizar todos os registos. Portanto, cultiva-se a ausência de qualquer moralismo-crítico que possa interferir com o resultado final da imagem e que busca posicionar-se (arquitectonicamente) num plano neutral, valendo-se a si mesmo. É simultaneamente um mundo onde não há arquitecturas melhores, nem piores. O fotógrafo, ao contrário do fotógrafo-artista, é convocado e responde através do seu conhecimento de expert. Se manipula a imagem, isto é, se lhe retira um excesso qualquer de “realismo”, fá-lo consciente que trabalha num domínio de imparcialidade.

Este aspecto opõe-se às relações históricas que durante o século XX lançaram uma teia de cumplicidades “emocionais” e discursivas entre arquitectura e fotografia. Basta recordar que Reyner Banham associou as raízes do Movimento Moderno à vulgarização de imagens de complexos fabris americanos e canadenses a partir da sua publicação num artigo de Walter Gropius editado no âmbito da Deutscher Werkbund, “Die Entwicklung Modern Industriebaukunst”, em 1913. “The impact of these illustrations … was felt throughout ‘modern Europe’ and registered as early as 1914 in the work of Antonio Sant’Elia and Mario Chiattone, the architects members of the Futurist circle in Italy, and even more strikingly in the sketchbooks and imaginary projects of Erich Mendelsohn.” Também se reconhecia nas imagens a preto e branco que divulgaram os primeiros edifícios de Le Corbusier ou de Mies van der Rohe, uma forte intencionalidade plástica “moderna”. O mesmo princípio que anulou as fortes cores primárias do neoplasticismo De Stilj ou o expressinismo de Bruno Taut, possibilitando essa invenção incrível que foi o International Style.

Mas talvez uma conivência de carácter mais “ideológico” seja mais perceptível nos ensaios sobre imagem que o edifício da Bauhaus, em Dessau, de Gropius, provocou entre os estudantes da escola. Aí, um certo experimentalismo arquitectónico manifestava-se na desconstrução da estaticidade fotográfica. Em Portugal, Mario Novaes, por exemplo, procurou igualmente servir os arquitectos modernos portugueses na propagação de uma imagem de “modernidade”. Imagens nocturnas registadas pelo seu irmão Horácio Novaes, como a de um edifício de Keil do Amaral – a Feira das Indústrias Portuguesas, em Lisboa –, mostram bem até onde o trabalho do fotógrafo podia ser determinante na consolidação de uma iconografia moderna.

Nas fotografias de Fernando Guerra desfazem-se as cargas mais idiossincráticas de cada um dos projectos que o fotógrafo vai percorrendo. Fernando Guerra trabalha sobre a imagem como se descarnasse os edifícios – cuidadosamente –, até sobrarem somente elementos, texturas, luzes, sombras. Invariavelmente, os edifícios são sempre fotografados antes de existir dentro deles uma vida “normal”. As pessoas são contornos, figuras estilizadas e fugidias. Há uma tonalidade semelhante nos vários trabalhos que os aproxima, mais do que os diferencia, permitindo reconhecer o “olho” do fotógrafo e, apesar do tempo se encontrar “parado” nestas imagens, há inequivocamente a expressão de uma época, visível num quadro harmonioso.

Talvez por isso, numa primeira impressão, revisitam-se as obras que dão corpo às fotografias como se percorresse “mentalmente” o mesmíssimo objecto. Mas os fragmentos (arquitectónicos), que delas vão transbordando, são reconhecíveis e possibilitam, apesar de tudo, chegar-se a cada um dos edifícios, impedindo que a leitura passe para um plano totalmente abstracto.
Retirados do seu contexto específico e reintroduzidos numa sequência genérica, estes elementos permitem, por contraste, refazer um quadro mais aberto. Essa abertura comporta um risco – que aqui parece ter sido previamente ponderado –, o de filtrar todos os projectos pela mesma rede, reduzindo-lhes a espessura própria que os distancia. Alguns edifícios suportam pior esta abordagem, o que ameaça a estabilidade desse “mundo perfeito” que aqui se recria. Tornando-se corpos estranhos no trabalho de Fernando Guerra, também o enriquecem e permitem-nos fazer notar que muito provavelmente estamos perante um dos mais eficazes fotógrafos portugueses que se dedicam a esta área tão específica e, à qual, a arquitectura tanto exige.

Adaptação do artigo “Mundo Perfeito, Arquitectura e Fotografia”, publicado no jornal Público, suplemento Mil Folhas, 26/03/2005, p. 22



 

FOTO-SÍNTESE
Nuno Grande

«A evolução recente daquilo a que podemos chamar “fotografia de arquitectura” tem sido um espelho eloquente das relações que a sociedade contemporânea estabelece com a produção arquitectónica.
Se olharmos esse espelho a partir do campo da arte, percebemos que, nunca como hoje, tantos criadores retrataram a arquitectura enquanto objecto das contradições dessa sociedade, expondo-a de forma crítica e crua. Que dizer, por exemplo, da visão de fotógrafos como Andreas Gursky, Thomas Ruff ou Axel Hütte?
Olhando para o outro lado do espelho, e desde o campo da cultura mediática, constatamos que, nunca como hoje, tantos “meios” retrataram a arquitectura como um produto sedutor dessa mesma sociedade, expondo-a de forma ostensiva e espectacularizada. Que dizer da profusão recente de artigos e imagens selectas de “arquitecturas de autor” em suplementos culturais e turísticos de jornais ou revistas de lifestyle?
Este duplo tratamento constitui um sinal dos tempos: no seu esforço de apropriação do quotidiano cultural e social, iniciado na década de 60, a arquitectura tornou-se, ela própria, num peão desse jogo extremado entre a reflexão crítica, na arte, e o consumo acrítico, no mercado. No mesmo sentido, a commodification da obra arquitectónica – isto é, a sua conversão num “consumível” –, dificulta hoje o posicionamento de um “fotógrafo de arquitectura” que se apresente, não como artista, nem como mercador de imagens, mas tão-somente como um viajante entre espaços.
É neste contexto que devemos situar o trabalho de Fernando Guerra, arquitecto e fotógrafo que, desde 1999, se vem afirmando no panorama nacional, documentando a produção arquitectónica portuguesa, e sobretudo a obra de uma nova geração de criadores. O seu apuro fotográfico sedimentou-se em sucessivas “reportagens” de viagem que, a partir de 1987, tomaram como tema central a paisagem urbana do Oriente, e sobretudo de Macau, cidade onde viveu alguns anos. Disparando compulsivamente a sua Reflex de 35 mm, sempre em punho, Fernando Guerra foi definindo um método errante mas diligente de retratar ambientes, gentes e pormenores que acabaria por distingui-lo da postura mais tradicional de outros fotógrafos portugueses já consagrados nesta área. Essa distinção estabeleceu-se não apenas na dimensão utilizada – raramente optando por câmaras de médio ou grande formato – como também no modo de apropriação da obra de arquitectura.
Assim, e enquanto outros estudam demoradamente os melhores ângulos, Fernando Guerra “deixa-se perder” no espaço, captando empiricamente essa descoberta irreflectida e inocente; enquanto outros instalam pacientemente as suas câmaras sobre tripés à espera da melhor luz, Guerra procura, irrequieto, a incerteza do “instante” em que uma sombra muda ou um vulto passa; enquanto outros retratam fria e analiticamente o seu objecto em apenas duas ou três exposições, ele colecciona centenas de imagens que reedita depois, enquanto síntese da sua “reportagem”. Uma postura demasiado “comercial” ou “artificial”, dirão uns; uma postura descomplexada, dizemos nós, que percebe o seu tempo e que define inteligentemente o seu lugar nesse jogo contemporâneo entre arte e mercado, a que nos referimos antes.
Fernando Guerra conhece as regras da composição fotográfica, a importância da luz, o poder de um enquadramento; isto é, compreende a fotografia como “ofício” artístico. Conhece, por outro lado, os mecanismos hoje impostos à edição de arquitectura, a importância de uma “foto-síntese”, o poder da massificação e da celeridade do consumo mediático; isto é, compreende a imagem como instrumento insubstituível da difusão cultural, algo que vem testando, juntamente com o seu irmão Sérgio, a partir do “sítio” digital que ambos criaram sobre o seu trabalho (contando hoje com mais de 250 obras fotografadas e mais de 1000 visitas diárias).
Poderá parecer-nos perverso que essa difusão nos “novos media” – em sites, blogues ou newsletters – se tenha tornado num meio comum de descoberta dos arquitectos e das suas obras, conferindo aos fotógrafos e webdesigners o papel que antes pertencia aos críticos e editores tradicionais; mas esta é a realidade global em que Fernando e Sérgio Guerra se movem e que procuram qualificar fazendo do seu “sítio” uma plataforma de cruzamento e de ligação entre tantos outros endereços e autores com diferentes aprofundamentos. Não surpreende, por isso, que num momento em que, a nível internacional, se acentua o interesse editorial pela nova arquitectura portuguesa – em publicações recentes, da Espanha ao Japão, da Itália à Rússia, da França à Coreia – as fotografias de Fernando Guerra preencham as capas e os conteúdos de revistas como Arquitectura Viva, L’Architecture d’Aujourd’hui, A+U ou Casabella, ou ainda da Wallpaper, Ícon, Blueprint, ou Frame. Embora distintas, todas elas constituem, como dissemos, faces do mesmo espelho.»

Excerto do texto publicado in “Mundo Perfeito – Fotografias de Fernando Guerra”, Publicações FAUP, 1ª edição, Porto 2008.

 


 
Nasceu em Lisboa, em 1975.
Licenciou-se em Arquitectura em 1998 pela Universidade Lusíada de Lisboa. Trabalhou em diversos ateliers em Lisboa antes de fundar o atelier e estúdio FG+SG - Fotografia de Arquitectura, em sociedade com o seu irmão Fernando Guerra.
É o responsável pela produção das reportagens e gestão geral do atelier.

 

Born in Lisbon in 1975.
Degree in Architecture in 1998 from Lusíada University in Lisbon. Worked in various ateliers in Lisbon before establishing the atelier and studio FG+SG - Fotografia de Arquitectura, in association with his brother Fernando Guerra.
Is responsible for managing the office.






 
Destaques | highlights :


SIZA SINGS
Film by Fernando Guerra


"We give fantastic concerts here..."

ÚLTIMAS 66 CAPAS
Latest 66 front covers


While Fernando is on the road, our team in Lisbon is busy working with editors from all the leading magazines, to make sure that your work gets to the biggest audience possible. We selected some of the most beautiful covers that we made on the last months.
66 front covers, and more than 200 editorial spreads. ver mais / see more

ÚLTIMAS EDITIONS
House in Korea by Álvaro Siza


Temos o prazer de anunciar uma nova edição, disponível a partir de agora para encomenda, numa tiragem limitada de 10 exemplares.
Para mais detalhes consulte a informação anexa.

AIRES MATEUS


Francisco e Manuel Aires Mateus
December 2011

PORTRAIT OF FERNANDO GUERRA
by ÁLVARO SIZA


South Korea
October 2011

PORTRAIT OF ÁLVARO SIZA
by FERNANDO GUERRA


South Korea
October 2011

JOSÉ ANTÓNIO TENENTE | AMOR PERFEITO
Perfumaria de casa


Fernando Guerra fotografou a campanha de lançamento da nova linha de José António Tenente, Amor Perfeito | Perfumaria de casa.
"As imagens traduzem o ambiente elegante e sofisticado deste aroma. Tranquilo mas intenso, sóbrio mas glamoroso, ousado e apaixonante. Este amor vive de emoções fortes, olhares compreendidos, diálogos que não precisam de terminar, num cenário urbano mas irremediavelmente romântico".

Realização JAT team
Fotografia FERNANDO GUERRA

CITÉ DE L'OCÉAN ET DU SURF MUSEUM | Biarritz, Fr
STEVEN HOLL Architects in collaboration with Solange Fabião


Editorial

Abriu no dia 25 de Junho de 2011 o novo Museu do Oceano e do Surf da autoria do arquitecto americano Steven Holl em colaboração com a arquitecta e artista brasileira Solange Fabião. Fernando Guerra fotografou durante três dias a vida no novo museu. Quem o inaugurou ou simplesmente por ali passou apressadamente num regresso da praia observou um encontro entre a cerimónia de inauguração trajada a rigor e a prancha de surf debaixo do braço. Figuras apanhadas numa estrutura que se estende perpendicularmente ao oceano em forma de onda côncava que alberga os edifícios translúcidos. Uma onda que é um palco privilegiado entre o céu e o oceano, como ilustrado nos desenhos conceptuais de Steven Holl que estão na raiz do projecto. Aqui nasceu um museu que alia a investigação científica do oceano ao aspecto lúdico de viver e partilhar experiências através de um desporto do qual, curiosamente, o próprio Steven foi praticante o que lhe confere um entendimento extra do espírito e da relação com o oceano.

Neste dossier especial feito em colaboração com o atelier de NY apresentamos essas imagens inéditas, bem como aguarelas do processo criativo, desenhos finais e textos sobre a obra escritos por quem a vê hoje concluída, nos quais se inclui o de um colaborador de longa data do atelier. Elementos que permitem a todos os que não podem passar por Biarritz, conhecer o projecto com alguma profundidade.

O site ultimasreportagens.com continua assim o seu trabalho não apenas de difusão da obra de um fotógrafo e da arquitectura nacional como também de edifícios de referência internacional. Depois de uma série de projectos na América Latina da autoria de Isay Weinfeld chega a vez desta obra de Steven Holl na Europa. Todos estes projectos constituem uma vasta base de dados e um acervo de recursos de consulta e referência que permanecerá disponível online. Eis o nosso objectivo diário.

Motivados pela singularidade deste projecto e pela reportagem que dele nasceu decidimos disponibilizar uma publicação impressa que documenta todo o processo. Um livro que pode ser facilmente encomendado on-line.

VER DOSSIER ESPECIAL



 
Editorial

The new Cité de l'Océan et du Surf Museum designed by american architect Steven Holl in collaboration with brazilian architect and artist Solange Fabião opened on 25 June 2011. For three days Fernando Guerra photographed life inside. Whether it was someone inaugurating the museum or simply passing through in a hurry back from the beach, one observed an encounter between the opening ceremony in formal attire and a surfboard under the arm. Figures caught in a structure extending in a perpendicular fashion to the ocean in a concave wave that houses the translucent buildings. A wave is a privileged stage between sky and ocean, as illustrated in Steven Holl's conceptual designs at the root of the project. Here a museum was born that unites scientific research of the ocean with the playful aspect of living and sharing experiences through a sport which, interestingly, Steven himself has been a practitioner of, bestowing him with an extra understanding of the spirit and relationship with the ocean.

In collaboration with the New York studio, this special dossier presents these previously unpublished images, as well as watercolours of the creative process, final drawings and texts about the work written by those who have seen the completed building, as well as a piece by a long-time collaborator with Holl studio. Such elements allow all those who cannot pass through Biarritz to get to know the project in some depth.

Hence, the ultimasreportagens.com website continues its work of not only disseminating a photographer's work and national architecture, but also of buildings with an international reference. After a series of projects in Latin America by Isay Weinfeld, it is the turn of this work by Steven Holl in Europe. All of these projects constitute a large database and a collection of resources for consultation and reference that will remain available online. This is our daily goal.

Motivated by the uniqueness of this project and the piece that resulted from it, we decided to provide a print publication that documents the entire process. The book can be easily ordered online.

SEE SPECIAL DOSSIER

 
Contents


374 Photographs | 1 Museum | 3 Days in Biarritz

Texts by Yehuda Emmanuel Safran and Rodolfo Reis Dias

Drawings and watercolors by Steven Holl & Solange Fabião

Interviews with Steven Holl, Solange Fabião and Rodolfo Reis Dias

Technical drawings

Credits

Steven Holl biography


ORDER THE BOOK ON-LINE


DELOOD | A view to a changing world
Exclusive interview with Fernando Guerra


Are there great buildings that do not photograph well?


There are buildings that are more easily photographed than others. Not because they are necessarily better designed, but because they seem to display themselves well, as if they knew how to work the camera as a fashion model does. And there are others, which, although beautiful, don't work as well, whether because of the surroundings, the weather or its scale. It is up to the photographer to neutralize this difference... read more


Sangue Jovem | Figurinos de José António Tenente
Sala Ensaio do CCB | Lisboa


Sangue Jovem de Peter Asmussen
com encenação de Beatriz Batarda


“Sangue Jovem junta três amigas de infância, sem filhos, e que perante a inevitabilidade do envelhecimento, da doença e da solidão, procuram uma possibilidade de redenção. A elas junta-se um jovem que quer ser ator, cheio de certezas e fome de viver, que logo se torna vitima da sua própria voracidade. A noite apresenta-se como um jogo de suspensões e adiamentos de revelações, entre o que é segredo e o que é falta de memória, resolvendo-se por fim como manda a vida, de forma repetitiva. As três mulheres estão inquietas com a ideia de futuro possivelmente por não se reconhecerem no passado que construíram. O encontro anual possibilita o regresso a um lugar seguro de infância, mas pobre em vivências comuns e ninharias, tornando a identidade que reencontram espelhada umas nas outras, cada vez mais distante daquilo que gostariam de ver (...)” 

Beatriz Batarda in programa de sala CCB

Reportagem de Fernando Guerra exclusivamente no Facebook

Barbosa & Guimarães | Palácio da Justiça | Gouveia, Pt
Barbosa & Guimarães | Law Courts | Gouveia, Pt


"O projecto tira partido da demolição do edifício existente, que ocupava a totalidade do lote, para desenhar uma nova Praça, com escala e dignidade para receber o Palácio da Justiça. Em diálogo com os muros de granito que definem a sua envolvente, a Praça assume-se como um envasamento de pedra, sobre o qual pousa o Tribunal. O Edifício, assente em quatro pilares, garante transparência e ligação entre os dois jardins que o delimitam a Norte e a Sul..." ver mais


"The project takes advantage of the demolition of the existing building, which occupied the whole of the plot, to design a new Plaza, with a scale and dignity to receive the Law Courts. In dialogue with the granite walls that define its surroundings, the Plaza takes on the form of a bottling of stone, upon which the Law Courts rest. The building, set on four pillars, ensures transparency and connection between the two gardens that delimit it to the North and the South..." see more

BELÉM LIMA | 12 Regards
Uzina books com fotografia de Fernando Guerra


BELÉM LIMA
12 Regards

Ana Vaz Milheiro / Bernardo Pinto de Almeida / Emídio Agra / Fernando Guerra / João Miguel Fernandes Jorge
José Luís Gordo Porfírio / Jorge Figueira / Maria Filomena Molder / Rui Chafes / Susana Camanho

Nos projectos que são apresentados neste livro existe uma espécie de coerência quase unitária, que é surpreendente, e será até desconcertante para quem não tiver seguido o teu percurso nos últimos anos. Ao contrário do que seria suposto na cultura dos anos 1980, em que havia variações de estilo de edifício para edifício e uma espécie de deriva a todo o momento. Nestas obras existe uma homogeneidade, um controle. Funcionam como uma colecção. ver mais


The projects presented in this book have an almost unitarian coherence which is surprising and may even be disconcerting to those who have not followed your career in the last years. Contrary to what would be the norm in the culture of the 1980s in which style varied from building to building and there were constant shifts. These works are homogenous, controlled. They function as a collection. see more

MONOCLE Magazine
issue 44 June 2011


THE PERFECT MATCH


Brazilian hotelier Rogério Fasano's latest creation is set among the rocky pampas of Uruguay. And the secret of his success? A creatively inspiring working relationship with designer Isay Weinfeld...

The entire project will be soon available at ultimasreportagens.com

FINALISTAS PRÉMIOS FAD 2011
FAD AWARDS 2011 FINALISTS

AIRES MATEUS
Lar em Alcácer do Sal

"La suma de una interesante estructura geométrica y una inteligente gestión del vacío convierten el edificio en un paisaje a la escala de
sus habitantes."

JOÃO LUÍS CARRILHO DA GRAÇA
Núcleo arqueológico do Castelo de S. Jorge

"El magnífico juego de contrastes entre el nuevo volumen abstracto y las ruinas que hay que preservar permite percibir el espacio de las antiguas construcciones y recrear su atmósfera espacial."


RICARDO BAK GORDON
2 Casas em Santa Isabel

"Una respuesta clara, sensible y cuidadosa en un emplazamiento
en el que escenario y platea se invierten, con lo que se consiguen unos espacios de una profunda intimidad a partir de unos patios estratégicamente colocados."


SAMI Arquitectos
CreativeLab assinado por Tenente

"Un simplísimo trabajo que aprovecha todas las cualidades visuales y táctiles de una tela y sus pliegues para generar un sutil ámbito interior con diversos grados de transparencia."

PROAP Arquitectura Paisagista
PROAP Landscape Architecture

PROAP Arquitectura Paisagista | Landscape Architecture
Bárbara Silva

"Ao longo de vinte anos, João Nunes e a equipa da PROAP dedicaram-se a uma procura, quase obsessiva, de uma forma de dialogar e de comunicar com a paisagem de um modo compreensivo e participativo. Um dos conceitos que melhor poderia definir a arquitectura da PROAP é o desenho; já que este se converte no processo de criação mais importante. É nele que está a essência de cada projecto e de cada intervenção, que se define pela interpretação da natureza, onde cada paisagem é transformada através dos sentimentos e das sensações que um lugar é capaz de transmitir..." ver mais


"Over the past twenty years, João Nunes and the PROAP team have dedicated themselves to an almost obsessive search of a way to dialogue, to understand and to communicate with landscape in a perspective and involved manner. One of the concepts that better defines the architecture of this group of architects is their approach to the main design, given it becomes the most important process of creation. The essence of each project and each intervention is withheld in the design that defines the transformation of nature where each landscape is transformed by the feelings and sensations of each place..." see more

ON Diseño 318
Cover April 2011

Residências assistidas em Alcácer do Sal
Aires Mateus Arquitectos

Centenário das Instituições de Ensino Superior
Centenary of Higher Education Institutions


CTT Correios de Portugal
Emissão de selos comemorativos do Centenário das Instituições de Ensino Superior com fotografias de Fernando Guerra
ver mais

ARCHITECTURAL RECORD
Cover April 2011 | USA

Project House in Leiria, Portugal
Architect Aires Mateus & Associates

By David Cohn


The Lisbon-based brothers Manuel and Francisco Aires Mateus push their residential designs out of the realm of the ordinary toward the surreal and dreamlike. In one project, they arranged the living room furniture of a beach house on a floor of deep sand. In another, a renovated winery, they suspended the volumes of the bedrooms over the living space like geometric stalactites. And in this project for a young family outside the small city of Leiria, they created the perfect archetypal form of a house, straight out of a Monopoly game box or a fairy tale. An apparently solid volume wrapped completely in white plaster — pitched roof and all — sits on the green plinth of an extended lawn, sharply profiled under the Portuguese sun (...)

FORA DE SÉRIE / Diário Económico
Entrevista a Fernando Guerra por Ana Filipa Amaro


"Posso dizer que fotografo paredes, mas digo-o com muito orgulho"


Arquitecto de formação, Fernando Guerra trocou a régua e o esquadro pela máquina fotográfica. Perdeu-se um arquitecto, ganhou-se um dos melhores fotógrafos de arquitectura contemporânea em Portugal... ler mais

AZURE cover / May 2011
Greenest Prefabs


Prefabs are easier on the earth than most residential homes, but a handful of architects are pushing eco-smart prefabrication to a whole new level of sustainability

by Mimi Zeiger


In July 2008, a summer tainted with the early rumblings of the sub-prime mortgage crisis, the Museum of Modern of Modern Art in New York opened Home Delivery: Fabricating the Modern Dwelling. The exhibition chronicled the prefabricated house in modern architecture, and it included several homes commissioned by the museum and set up on an empty lot on 54th Street. A MoMA show often represents the summing up of an architectural movement, and Home Delivery was no exception. However, it was the global economy that proved the de facto capstone (if not the nail in the coffin) to the trend. By the time the show closed that October, the housing market was in free fall. "Modern prefab lives fast, dies young, leaves good looking corpse," mused green architect and expert Lloyd Alter on TreeHugger at the time. And by mid-2009, Michelle Kaufmann, designer of the Glidehouse-an iconic modular home positioned as the poster child for the burgeoning prefab lifestyle-shut down her company, citing plunging home values (along with the closing of the factories that made her houses) as a key reason for bowing out.

ARQ & Design: Retrato de um fotógrafo
Entrevista a Fernando Guerra por Sofia Pires


"Chama-se Fernando Guerra e o estado do tempo tira-o do sério. Não é indiferente às condições meteorológicas porque precisa de luz para trabalhar "na memória dos objetos e das coisas". É um arquiteto que "fugiu" para o universo da fotografia, agora é fotógrafo mas põe as imagens a "falar" de arquitetura. Fernando Guerra orgulha-se dos quase 1500 trabalhos que encara como parte da sua vida e experiência pessoais. Vamos conhecer um pouco do fotógrafo que há mais de 10 anos ajuda a contar a história da arquitetura contemporânea portuguesa e cujo trabalho faz jus ao reconhecimento internacional..." ler mais

GONÇALO BYRNE | Estoril-Sol Residence


"A reocupação dos terrenos do Hotel Estoril-Sol por um novo complexo de uso maioritariamente residencial com chancela do estúdio de Gonçalo Byrne revelou-se um processo controverso e difícil, balançando entre a responsabilidade ética da intervenção, as possibilidades abertas pela transformação daquele território e também o choque com a memória pública do lugar e o seu contexto envolvente..." ler mais

"The implementation of this residential hybrid designed by Gonçalo Byrne proved to be a controversial and difficult process. Located by the sea in a site previously occupied by the Hotel Estoril-Sol, an icon of 1960's Portuguese modernism, the new project raised concerns of intervention ethics regarding the transformation of the territory and the confrontation with the public memory of the place..." read more

AIRES MATEUS | Residências assistidas em Alcácer do Sal
AIRES MATEUS | House for elderly people in Alcácer do Sal


"O projecto parte de uma leitura cuidadosa da vida de um tipo muito específico de comunidade, uma espécie de micro-sociedade com as suas próprias regras. Este é um programa, a meio caminho entre um hotel e um hospital que trata de entender e reinterpretar o binómio social e privado, respondendo por um lado à vida em comunidade e por outro à vida solitária..." ler mais

"The project is based on a attentive reading of the life of a very specific kind of community, a sort of a micro-society with its own rules. It is a program, somewhere in between a hotel and a hospital, that seeks to comprehend and reinterpret the combination social/private, answering to the needs of a social life, and at the same time of solitude..." read more

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1. last 2. latest, most recent; Latest is the superlative of late. adj You use latest to describe something that is the most recent thing of its kind. 3 adj You can use latest to describe something that is very new and modern and is better than older things of a similar kind.



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