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A Casa de Carreço ostenta a expressividade das suas formas, das suas cores, dos seus feitos estruturais." Seleccionada para adiar o portfólio Habitar Portugal – montra da melhor arquitectura portuguesa – surge assinada em tandem por Nuno Grande e Pedro Gadanho.
O projecto adapta o programa requerido a um lote estreito e alongado, de pendente suave, sobre a costa atlântica. Minimizando impactos paisagísticos e contornando a imposição regulamentar de profundidade, o volume principal “molda-se” à morfologia do terreno através da extensão, em consola, dos pisos superiores.
Uma dessas projecções, com cerca de 8 metros, dá-se na forma de uma varanda-pátio exterior, suspensa e aberta sobre o jardim e a paisagem envolvente. Deste modo, um efeito de “deslizamento” horizontal domina as volumetrias, permitindo “desmaterializar” a verticalidade da habitação. Na “pele” do edifício lê-se, assim, a presença das circulações e serviços que abraçam, nos diferentes pisos, o núcleo central e o seu “esqueleto” estrutural.
A nível construtivo, inverte-se uma situação corrente. No interior, denunciam-se, na estereotomia do betão branco aparente, as paredes-viga que sustentam o núcleo e prolongam a sala de estar na varanda suspensa. No exterior, revestem-se os diferentes planos a cappotto e evidencia-se a alternância da cor no jogo expressivo dos volumes.
Finalmente, diferentes aberturas, emolduradas por caixilhos em madeira, relembram-nos a incontornável presença do mar.
HABITAR PORTUGAL/CASA DE CARREÇO
"A escolha da Casa de Carreço de Nuno Grande e Pedro Gadanho surge como representativa dos projectos que, no limite do orçamento e da lei, procuram, no trabalho das suas cuidadas espacialidades, afirmar o inconformismo.
A casa, implantada num território de matriz agrícola caracterizado por uma complexa trama de caminhos de serventia, ocupa um exíguo lote, ladeado por outros fortemente e diversificadamente ocupados. Os regulamentos justificados em contextos de maior regularidade são, também aqui, aplicados. A construção não deve avançar mais do que quinze metros para o interior do lote, os alinhamentos devem ser respeitados. Na Casa de Carreço, é a sua expressiva consola de oito metros que prolonga o espaço exterior do piso principal da habitação, sobre uma paisagem arrebatadora. Assim, preserva-se, no piso inferior, o exíguo terreno livre do lote e respeita-se as condicionantes de implantação. A Casa de Carreço ostenta a expressividade das suas formas, das suas cores, dos seus feitos estruturais. No entanto, tudo isto se sustenta num trabalho especulativo do programa e do uso nas relações com o sítio."
MAPEI-Habitar Portugal 2003-2005, Ordem dos Arquitectos
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