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Casa O é uma casa no campo… mais que uma casa de campo. Uma casa díptica, onde se excede a utilidade.
Olha para dentro enquanto o Marão está atento. Aqui, a biblioteca é ponte, a escada é sala, o átrio é um boomerang… em movimento sem progresso. Tal como são as casas antigas.
A Casa O está já a sul do núcleo de Torgueda, a setecentos e cinquenta metros de altitude.
Há neve e frio muitas vezes. Guardada por muros de xisto e castanheiros de cem anos, corta transversalmente dois socalcos compridos.
Demoramos a chegar à porta em alumínio que esconde o átrio de xisto preto. Já dentro, voltamos a ver a terra em vitral largo e baixo.
A madeira fina de maple deitada ao chão dá quietude aos passos repetidos mil dias. No exterior, o calcário geométrico bujardado é um intruso contemporâneo. De longe, a Casa O é uma casa branca.
A cozinha é igual à casa. Convergem paisagem e atmosfera. Da biblioteca podemos comentar os odores ou comemorar o vento e a chuva. A varanda horizonte formata o céu e as nuvens.
Amplia o silêncio até longe.
António Belém Lima, Arq.
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