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A Gruta das Torres é uma cavidade de origem vulcânica localizada na ilha do Pico, na freguesia da Criação Velha,concelho da Madalena. Em 2004, foi classificada pelo Governo Regional dos Açores como Monumento Natural
Regional, devido ao seu elevado valor geológico e às suas dimensões ímpares em todo o arquipélago dos Açores: aproximadamente 17m de altura, no seu ponto mais alto, e 5 quilómetros de comprimento,em toda a sua extensão.
O acesso à gruta é parte integrante de uma paisagem à qual a montanha do Pico imprime uma força e escala únicas. Também a dimensão e beleza desta entrada – um misterioso skylight resultante do abatimento do tecto da gruta – é consonante com a dignidade e força de toda a sua envolvente.
Tendo a Direcção Regional do Ambiente/Secretaria Regional do Ambiente e do Mar tomado a iniciativa de abrir ao público a Gruta das Torres em 2005, tornou-se necessário construir um edifício de modo a proporcionar informação e apoio ao visitante. Em simultâneo,foi também necessário pensar na protecção do skylight.
Na elaboração do projecto, outros três pressupostos se revelaram fundamentais: a construção deveria ter em atenção o problema do vandalismo, por se encontrar afastada de qualquer núcleo habitacional;teria de ser construída com um baixo custo; e, finalmente,deveria ter em conta o facto de ser utilizada, de forma regular, apenas nos quatro meses de Verão. A resposta encontrada procurou conjugar simultaneamente, e da forma mais simples possível, a protecção do skylight com o desenho do edifício. Assim, a forma da própria construção surgiu da forma natural e ondulante de um muro de pedra argamassada, com 1,80m de altura, que protege a imensa entrada na gruta. Ambos resultam não só de um mesmo gesto formal mas também utilizam o mesmo material, ainda que com técnicas diferenciadas: o muro foi feito com pedra argamassada, mas, ao transformar-se na fachada sul do edifício, reproduz a imagem de um sistema construtivo local, em pedra, utilizado na construção dos currais de figueira,uma técnica cujo resultado é hoje reconhecido e classificado como Paisagem Património da Humanidade, pela UNESCO. A imagem destes muros, originalmente construídos com uma altura máxima de aproximadamente 1,80m, levou-nos a ousar o desenho de um rendilhado de pedra com 3,50m. Esta solução permitiu a entrada de luz ao longo de toda a construção, evitando, simultaneamente, a abertura de vãos, mais susceptíveis ao vandalismo. É por esta mesma razão que os vãos que, apesar de tudo, foi necessário rasgar, surgem protegidos dentro dos limites do muro de pedra, exceptuando a entrada no Centro de Visitantes. Toda a pormenorização dos vãos foi feita tendo em conta os recursos locais e a robustez necessária para responder aos requisitos anteriormente referidos. Com excepção da parede em pedra, o edifício foi revestido com uma impermeabilização/ acabamento de cor preta, de forma a assemelhar-se à textura da lava vitrificada existente no interior da gruta, e projectado com uma estrutura de betão armado assente sobre um carril, também de betão armado, de modo a evitar a construção de fundações, que provocariam vibrações desnecessárias, minimizando a interferência em solos desta natureza. Ao chegar ao Centro, o visitante depara-se com um pátio exterior cuja existência resulta da procura de uma transição de escala entre a imensidão da paisagem e o interior do projecto. O visitante pode comprar o bilhete de entrada e aguardar numa sala antes de passar para o auditório, onde assiste a um 'breefing' pelo guia que fará a visita. Neste auditório encontram-se os capacetes e lanternas, de uso obrigatório na descida à gruta. Uma vez iniciado o percurso, segue-se por uma escadaria em pedra que se prolonga para o interior do tubo lávico através de um passadiço de 40m de comprimento.
Este permite passar sobre os desabamentos do tecto da gruta sem que para tal se tenha procedido à remoção dos mesmos. A visita é feita ao longo de 400m, num total de 200 em cada sentido. No regresso ao Centro, o visitante é reconduzido à sala por uma rampa exterior que facilita a circulação de vários grupos, em simultâneo, sem que estes se cruzem entre si.
FICHA TÉCNICA
Projecto de Arquitectura: Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira
Localização: Madalena do Pico. Pico. Açores.
Data de projecto/conclusão: 2003-2005
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