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No centro da cidade de Câmara de Lobos, na Madeira, uma intervenção urbana, à volta do Largo da República, substitui um largo caótico e um grupo de edifícios degradados pela construção de quatro novos edifícios e uma praça com vista aberta sobre o oceano. O projecto executado na zona central e antiga da cidade, que envolve a área adjacente à igreja matriz, permite a criação de um espaço público sem carros, novas circulação pedonais e uma acesso vertical por escada e elevador à praia de calhau. A construção destes edifícios e a sua implantação em volta do largo e ao longo da malha urbana cria uma nova forma ao espaço público e estabelece uma nova imagem para o antigo largo e para os arruamentos contíguos, marcando com as novas fachadas a entrada no núcleo central da cidade. A construção destas edificações preenche espaços vazios existentes entre as construções antigas, repara e consolida a malha urbana e o conjunto edificado. A volumetria e escala utilizadas nesta intervenção mantêm as semelhanças entre o antigo e o novo, através da arquitectura que, utilizando uma linguagem formal distinta do restante, está fortemente apoiada no contexto. As cores e os materiais utilizados e o desenho dos espaços exteriores e edificados estão compatibilizados com a construção do centro antigo desta cidade. Os volumes brancos dos edifícios, banhados pela claridade reflectida pelo mar,iluminam e acentuam a presença desta praça/miradouro e colocam o céu e o mar como os seus protagonistas. Implantada no sopé do majestoso rochedo do ilhéu, a praça converte-se num local irresistível e único. Os edifícios com dois ou três pisos apoiam-se num parque de estacionamento subterrâneo, situado sob a praça, e destinam-se a comércio, restaurantes e escritórios. Um sistema de pontes, escadas e rampas cria um acesso à zona do mar, onde existe um edifício de restauração e apoio balnear. Esta zona liga-se depois ao passeio marítimo local. A pureza, e também dureza do desenho desta arquitectura, possui uma austeridade que contrasta com a riqueza do lugar, do acidentado do terreno, dos rochedos, da falésia e da paisagem marítima. A obra humana e a natureza estão separadas e distintas mas igualmente próximas e simultâneas no mesmo espaço.
Texto Duarte Caldeira e Silva, arq.
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FICHA TÉCNICA DUARTE CALDEIRA e SILVA, arquitecto Equipa Projectista: |
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