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Uma cumplicidade ausente O TMG situa-se num território agreste, na Guarda, no interior de Portugal. Os edifícios localizam-se numa área central da cidade, antigo limite da cidade, a sul. O espaço de intervenção é contíguo ao tecido urbano consolidado mas sem uma relação directa com o espaço público envolvente. Carácter contextualista não visível de um modo aparente na construção do lugar. Os novos edifícios foram desenhados para este lugar preenchendo um espaço de características singulares na estrutura urbana existente. O complexo, é constituído por dois edifícios autónomos e diferenciados, impondo alguma autonomia formal na relação afectiva com a envolvente. Não se manifestam visíveis vistos do exterior, do lado da cidade. Isto porque é um espaço com diversos edifícios a preencher os limites e visualmente aberto em direcção à paisagem mais distante. O edifício mais “pesado” na cor e na forma está em contacto directo, com uma realidade urbana transitória, em futura mudança. O outro, de menor dimensão, mais leve, reveste-se a vidro esmaltado a branco, construindo um paralelismo com o edifício existente a norte, nos alinhamentos, na cércea, na secção transversal e usando a mesma plataforma de implantação. Estabeleceu-se alguma cumplicidade e reinvenção nas formas e traçados entre o contexto envolvente e o complexo de edifícios novos. O assentamento dos edifícios motiva espaços exteriores diferenciados, mas não fragmentados, viabilizando hipóteses de utilização cénica diversa. O declive do terreno é estruturado em sucessivas plataformas de nível. A paisagem surge na composição cénica imposta pelos sucessivos patamares. É uma arquitectura de presença e legibilidade, mas de adjectivação simples. Uma complexidade racionalista na “construção” de volumes puros e simples. Uma presença física que se dilui na sua condição de “parte de cidade” e “objecto”, integram-se e são integrantes. Reprodução de uma imagem formal que traduz uma autonomia intrínseca de cada peça, a sua própria presença. Os edifícios constroem uma dependência tectónica do lugar onde se implantam com vontade de revelar a sua especificidade formal, a partir do seu próprio conteúdo. Os materiais de revestimento resumem-se a painéis de betão com fibra de vidro (GRC), de vidro e aparelho de granito. Correu-se o risco de se desenhar e compor-se os elementos plásticos no intuito de eliminar uma única massa construída. O objectivo foi formular formas e espaços cénicos diversos e por inerência obrigar o espectador a um comportamento inter-relacional e heterogéneo. A apropriação, um possível percurso Da cidade, chega-se ao complexo de edifícios descendo pelas rampas de acesso, enclausuradas entre muros de granito de nível. Quem as desce, deixa para trás o contacto com a rua, agora o granito e o azul do céu preenchem o percurso. É uma forma de descompressão, de chegada a um conjunto de novos espaços e edifícios. A própria envolvente impôs esta aproximação, este modo de chegar ao interior do espaço. Quando chegamos à cota da primeira plataforma, deparamo-nos com um corpo frio em vidro esmaltado a branco. Um espelho ténue das pré-existências. Os acessos a este edifício encontram-se nos topos da secção transversal. Um edifício onde predomina o branco nos espaços e o negro nos elementos amovíveis nele contidos. Continuamos, pelo exterior… A marcação e definição de percursos e a diferenciação de materiais, permite induzir a direcção do circuito a percorrer. Agora, no alinhamento longitudinal dos edifícios (existente e proposto) deparamo-nos com um novo corpo, uma grande massa cinzenta com aberturas aleatórias, assente numa plataforma nivelada cinco metros abaixo. Duas opções: seguimos por uma rampa paralela a este novo edifício, a norte, ou descemos de imediato por uma escada metálica no início da rampa. A entrada não se vê, ou melhor não se percebe como acedemos ao edifício, porque as aberturas são grandes planos envidraçados fixos. Os percursos marcados antevêem as direcções a tomar, viramos a esquina e entramos no seu interior. Aqui, o pavimento é em soalho pregado e os paramentos verticais em betão à vista, juntamente com tectos num composto fenólico quase na cor do betão. É uma aproximação física ao modo de estar num palco, envolvente escura e pavimento em madeira. A sensação de estarmos num espaço quente e ao mesmo tempo o choque produzido pela envolvente visualmente fria. Ouvimos o som do caminhar por um foyer em forma de L. As aberturas foram pensadas para efectivar a ideia de “bocas de cena”, onde o público passa a ter um papel interveniente, passa a acção cénica. A organização dos espaços procura diferentes contemplações do interior para o exterior e vice-versa. Existe uma vontade espacial de fazer subir os “actores” no edifício, através dos acessos previstos, atingindo o foyer do pequeno auditório e bar de apoio. Depois, se houver, desfrutaremos do espectáculo.
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