Museu Ordrupgaard - Ordrup - Dinamarca
ZAHA HADID, Arquitectos

 

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Agora, que o mundo indiferenciado se rendeu em definitivo à diferença, formal e informal, que Zaha Hadid corporiza, conhece conclusão um dos seus projectos iniciais, a nova ala do Museu Ordrupgaard. Uma intervenção evocada, em memória descritiva, pela projectista.

O projecto da nova ala do edifício institucional existente – o Museu Ordrupgaard, edificado em 1918 e, enquanto acervo de pintura impressionista, franqueado ao público em 1953 – constituiu uma oportunidade para explorar novas relações formais entre os componentes museológicos imanentes ao edifício e o coberto vegetal que o emoldura, de tal modo que o conjunto edificado se pudes­se constituir, por si só, enquanto topografia. A ala agora concluída procurou introduzir novas paisagem no território da Arquitectura, potenciando diálogos alternativos entre zonas verdes e a existência construída. A lógica intrínseca da paisagem existente era, de algum modo, abstracta na sua geometria: novos contornos permitiram alargá-la enquanto trajectória, encaminhando-a para o núcleo museológico, potenciando ainda, de passagem, outras alternativas de utilização.

O edifício aparta duas condições distintas do jardim, procurando responder-lhes com uma gradação de uso que surge corporizada pelas alterações introduzidas no plano da transparência e das vias de acesso. As linhas que definem o conjunto, constituindo a matriz morfológica do pro­grama adoptado para o projecto de extensão, foram exploradas em dois planos: fundamentam, por um lado, o resguardo do conjunto e estabelecem, em simultâneo, os sustentáculos da organização adoptada pelo interior. A alteração conseguida na topografia existente pode ser encarada como um convite à incursão no interior e, assim sendo, como um signo distintivo da transição entre utilizações diferenciadas. Deambular pelo museu converte-se, assim, numa experiência de fusão entre jardins e paisagem construídas, linhas de pensamento humano e contornos naturais, opacidades e transparências, concavidades e convexidades, um percurso dinâmico de contrastes aparentes que desvendam, afinal, as afinidades e analogias na unidade da trajectória e na continuidade das emoções.

 


 

 

 

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